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09/11/2015

Metafísica do Concreto Exposto

Metafísica do Concreto Exposto / Andrea Deplazes

Estruturas portantes feitas de concreto armado caracterizam a vida urbana diária. Sempre que possível, a indústria de construção emprega este material. É relativamente barato em comparação a outros materiais construtivos – visto que o trabalho no canteiro de obras progride rapidamente, e (aparentemente) especialistas altamente qualificados não são requeridos para instalá-lo. O concreto armado simplesmente se tornou o material construtivo escolhido do século XX – e o símbolo da atividade construtiva desenfreada. A “concretagem do meio ambiente” é um inventivo provérbio que denuncia a destruição da paisagem, natureza e habitats.
Superfície
Com o concreto exposto o que é visível é a superfície do concreto. Essa aparente observação nada espetacular torna-se significante quando desenhamos comparações com a alvenaria. A alvenaria de tijolo aparente demonstra a ordem e a lógica de sua textura e junções, assim como a precisão e o curso das operações construtivas. A forma de assentamento dos tijolos é, portanto, mais do que a soma de suas partes, sua estrutura é percebida como uma ornamentação estética, estabelecendo ou representando um “verdadeiro estado das coisas”. Louis Kahn argumentou que a ornamentação – ao contrário da decoração, que é aplicada, é uma adição “estrangeira”– sempre se desenvolve a partir de interfaces tectônicas até o ponto da independência (através da transformação dos materiais e da emancipação de funções originalmente construtivas). Contra o fundo de tal visão cultural, a estética significa: “Beleza é o esplendor da verdade” (interpretação de Mies van der Rohe de St. Augustine aplicada à cultura construtiva moderna).
Em contraste a isso, o concreto exposto – ou melhor, a “pele” de cimento de dois ou três milímetros de espessura– esconde sua natureza compositiva interna. O concreto exposto não revela seus trabalhos interiores, mas ao invés, esconde sua estrutura básica sob uma camada exterior extremamente fina. Essa camada superficial formaliza e retém o que nossos sentidos poderiam perceber: um entendimento da composição do concreto e “como ele funciona”. E é por isso que o concreto não é percebido como o material construtivo natural que realmente é, mas como um “conglomerado contaminado artificial”.
Conclusão
1. Apesar do fato que o concreto exposto é projetado e desenvolvido de acordo com argumentos racionais e técnicos, processos construtivos aparentemente irracionais abundam.
2. O concreto exposto representa o resultado de vários processos de transformação e metamorfoses que deixaram sua marca (um tipo de “memória” de estados anteriores).
3. Uma congruência precária existe entre a forma exterior e a “vida interna”. A fina camada de superfície do concreto exposto raramente desempenha o papel de mediador iconográfico.
4. A qualidade da superfície do concreto caracteriza o edifício como um todo dentro de seu tema arquitetônico. Ela tende tanto ao arcaico quanto ao abstrato.
5. A forma é definida como a síntese pré-efetivada de vários fatores de influência, com imanência tecnológica raramente correlacionada com permanência cultural.
6. A forma do concreto é relativa ao fluxo interno de forças. Esse fluxo é interpretado tanto como um sistema em equilíbrio baseado em fatores construtivos e espirituais, ou como um modelo tensionado com fundações em ciência natural e realidade.
7. Todo tipo de concreto mostra uma face.

Cita: Marina de Holanda. “Metafísica do Concreto Exposto / Andrea Deplazes” 28 Fev 2013. ArchDaily Brasil. Acessado 9 Nov 2015. <http://www.archdaily.com.br/100353/metafisica-do-concreto-exposto-andrea-deplazes>